segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Amor do Sonho


Um som tremido escorregou pelas gretas da porta, ecoando suavemente pelo andar de baixo  lentamente balbuciando em um tom firme e convidativo. Júlia estava de pijama quando notou uma sombra na parede a sua esquerda. Com uma piscadela balançou a cabeça dizendo:_ é só apenas minha imaginação.  Chegando na cozinha para tomar um copo d'água achou estranho, a porta da geladeira estava encostada. Julia levou a mão no sentido do apagador, naquele instante a luz acendeu  e na sua frente estava ele,  ele quem? Sua mente estava em colapso não sabia se gritava ou dizia oi.
Elito de vinte anos, cursando artes  plástica  no primeiro período da faculdade  cabelos negros,  um semblante pálido e sonolento  ao vê-la disse: _ como vai, vai pegar a água ou vai ficar me olhando? _ Se fazendo de boba Júlia retornou ao quarto, cobriu se com o cobertor infantil cheio de ursinhos em um dos lados , lá fora o ar gélido nublava a janela, gotas de sereno escorria pelo vidro. Júlia disse a si mesma:_ tudo passa de uma fascinação, vou dormir que amanhã acordo cedo. Aquele dia  parecia se estender pela madrugada,  o frio continuava, nem  sinal de que o dia seria ensolarado.
Desde o café até o fim da tarde nada mudou,  uma inquietação tomou conta de mim, mesmo querendo esquecer, aquele rosto aparecia, nesse instante aquela curiosidade só aumentava._ Da próxima vez que ele me tratar daquela forma não vou deixar em branco, foi tão grosseiro e ao mesmo tempo atraente. Tenho que tirar esses pensamentos,  não posso fraquejar se não como ele vai pensar de mim, que sou fácil. Mais uma noite chegou e dessa vez não passa, sinceramente quando penso em revê- lo, sinto meu coração palpitar,  deve ser vergonha ou insegurança, mas tenho que enfrentar essa situação , envolto pela atmosfera densa e intrigante. A lua renascia novamente, parecia que o mundo parou em uma visão misteriosa, apenas o som do ar contraindo nos pulmões soava pelas paredes verde-aqua.
Naquela noite tudo se estabilizou em apenas uma noite qualquer, na verdade sentia e esperava algo a mais,  fiquei penumbrando nos meus delírios. A semana foi corrida, estava chegando no meu limite, que bom que hoje é sexta! cheguei exausta, meu corpo só desejava a cama, visto que qualquer lugar seria bom. Tinha tempo que não tirava um bom cochilo, essa é a hora mais oportuna. Um sopro quente me tirou do paraíso, em seguida para me desafiar ficou me encarando. Sim, era ele, sem reação comecei a  transformar as maçãs do rosto, de um tom opaco para um vermelho quente. Juntei um pouco da dignidade que tinha e me isolei no banheiro. Estava parecendo uma idiota discutindo na frente do espelho. O novíssimos foi tanto que não conseguia ficar séria,  só conseguia expressar o sentimento de que ele estava atrás daquela  parede. Passei semanas repetindo a cena em minha mente. No começo nem me toquei de que só o via a noite, várias ideias de viciada em séries surgiram, até cogitei pensar que era um vampiro levando em consideração o hábito noturno, seu semblante sedutor e aquele jeito arrogante.
 Tomei minha decisão e me dirigir ao encontro dele, subi as escadas e lá estava, encostado na janela e a luz desfilando pelo seus cabelos corridos, meus olhos fitaram seus lábios e dando aquele zoom, minhas  armaduras se desmancharam. Se muito jeito fiz personagem de boa moça, oferecendo algo para bebe. Educadamente ele se aproximou, mas na minha visão aquilo parecia gesto de novela mexica, quando o protagonista joga a mocinha contra a parede enquanto sussurra que a ama.

Sei que sou ousada, mas tudo continuou delicado, conversa vai e vem.  Internamente tentei me desculpar, só que era difícil pra mim. A maior razão pela qual hesitei foi ainda ter esperança de um dia encontrar a pessoa  ideal, era perfeito demais pra ser real, mas embora tenha conversado com ele, sua presença não causava qualquer mudança ao ambiente,  de fato ele sequer me tocou.
Com tantas dúvidas e incertezas só me restou espera-lo mais uma vez, cada minuto parecia horas, não aguentando mais perguntei aos vizinhos se o conhecia. A resposta foi rápida, Nádia a vizinha da casa 315 reafirmou a existência, para o meu espanto sabia até o nome dele. Conformada deixei de especular, preferindo conhecer eu mesma. Finalmente chegou a hora! Mãos frias, coração quente e a voz lenta, seria um encontro? Na minha imaginação era sim,  queria tanto lê os pensamentos dele naquele momento. Sentamos e conversamos, para o nosso despertar o telefone dele começou a tocar a música que mais gostava, desse modo nos aproximamos, perdemos a noção das horas.  A primeira impressão desapareceu,  deixando  um gosto agradável. Me sentia tão leve perto dele,  necessitava de pessoas assim,  sua forma de falar era calma  e doce .  Em seis dias já estava apaixonada, tudo que fazia ele surgia nos meus pensamentos, almoçava, estudava , simplesmente tudo!
Jaqueline, digamos que era a minha única amiga, estudamos desde o primário juntas. Ela foi a primeira a perceber que eu estava mudada, com um brilho no olhar, discretamente  me perguntou o que tinha ocorrido no final de semana. Como não podia me conter disse:_ Amiga conhecia uma pessoa, foi meio que por acaso. Quando sair do meu quarto lá estava ele, tomei um susto! O nome dele é Elito, estudante de artes plásticas. Mas Júlia como assim ele surgiu? Brotou assim do nada?_ Calma amiga, ele é filho do amigo do meu pai, de vez em quando ele passa lá em casa. Ahh! assim explica melhor, tinha pensado que você estava sonhando acordada!
Então amiga que dia vai me apresentar, quero ser a primeira a conhecer? ah não sei, tenho que falar com ele antes, mas logo logo…  No fim daquele discurso interrogativo fomos para casa. Por coincidência Jaqueline indagou ao Eduardo, pai de Júlia só pra confirmar se era verídico o relato da amiga. Edu respondeu às perguntas de Jaqueline desmentindo toda a história da filha, que não conhecia nenhum Elito. Preocupada Jaqueline lembrou que algo estava estranho, pois Júlia demonstrava acreditar cegamente no que contou. Julia sempre foi anciosa, sua capacidade criativa ultrapassava do normal, isso nunca afetou seus estudos.
Jaqueline decidiu conversar com a amiga, sem jeito de como iniciar foi direta:_Ju hoje estive com seu pai e ele desmentiu tudo, fala a verdade, somos amigas há muito tempo e você sabe que pode sempre contar comigo!_Que, você tem coragem de falar que é minha amiga? Só porque encontrei uma pessoa, nossa sinceramente me decepcionou! Julia saiu em direção  a porta, chegando em casa trancou se no quarto e caiu em prantos. _ Como pode ter dito aquilo, lágrimas escorreram no rosto da Julia, enquanto isso o seu celular tocava, era a Jaqueline preocupada ligando em seguida. Horas mais tarde Julia desceu as escadas e foi buscar as provas pra apresentar que ela estava falando a pura verdade.
Se lembrou da vizinha, sem pensar muito seguiu em direção a casa , emfrente aquela porta marrom envelhecido começou a dar toques, dizendo:_ Dona Marly está em casa? minutos depois saiu um garoto respondendo:_Aqui não tem nenhuma Marly, deve ter errado de porta. _ Não, eu tive com ela sexta-feira, deve ser isso ,ela deve ter se mudado esses dias!   Não acreditando no que ouviu Júlia preferiu acreditar que o garoto deve ser novo na vizinhança,  pra seu desespero o garoto disse:_ Moro aqui com minha mães há mais de cinco anos. Com olhos vermelhos Júlia correu pra casa e se ajoelhou derramado mais lágrimas,  nesse momento Edu abriu a porta e viu a filha ali no chão tremendo e soluçando enquanto chorava.
Edu disse de forma temerosa:_ Filha fala comigo, está passando mal?  Diga algo por favor! Está me deixando preocupado… Júlia se levantou e disse:_ Não é nada, vou dormir um pouco. A lua estava cintilante quando Elito entrou pela janela, olhos amendoados fitaram Júlio que o abraçou, dizendo:_ Você é real, sei que é!  No outro dia Edu pediu que Jéssica fosse conversar com ele, Jaqueline confusa contou tudo que sabia._ Edu eu não sei como começar,  mas a Júlia começou a agir estranho, então a perguntei o motivo, me disse que tinha conhecido uma pessoa. Aparentemente ela está gostando dele, mas na realidade só disse mentiras, no início achei normal até que ela pareceu acreditar que a pessoa é real, foi quando discutimos e ela ficou assim.
Assustado e cabisbaixa desabafou: _ A Júlia desde pequena era sensível,  via pessoas e coisas,  eu deixar pra lá porque pensei ser coisas de criança com imaginação fértil.  De repente um barulho despertou a atenção dos dois. Jéssica disse:_ Acho que vem lá de cima! Edu se levantou do sofá e subiu as escadas na busca de Júlia.  Dentro do quarto Elito disse:_ Júlia tenho que ir, seu pai não me aceitará,  desculpa! Em reação Júlia pulou a janela atrás de Elito. Edu demorou abrir a porta, entrando se deparou com a janela aberta e sem a Júlia, desesperado ligou pra todas as amigas da filha e nada. Enquanto isso Elito desapareceu do campo de visão de Júlia,  longo na esquina estava ele com um sorriso convidando Júlia para que o acompanhasse.  Sem pensar muito Júlia avistou um carro em direção ao seu amado e se atirou tentando salvá-lo, se tempo de reação o carro foi com tudo, remeçando Júlia no outro lado da rua. Júlia viu Elito se aproximar e lhe dá a mão,  lágrimas e sorrisos se encontram no mesmo lugar. Júlia faleceu no acidente, naquele  instante sentia dor, sorria por estar ao lado do amado. Edu recebeu a trágica notícia,passando mal, sendo levado pro hospital,  pediu explicações mesmo em choque.
O motorista foi autuado e levado para a delegacia, relatou que estava sim em alto velocidade, mas foi a garota que se atirou na frente do carro, não havia ninguém com ela no momento.  Essa tragédia repercutiu em todos os jornais, em um cidade vizinha um rapaz com as mesmas características do Elito criou  dúvida e mistério após a morte da garota. Júlia sofria de esquizofrenia, os familiares não deram muito importância na suspeita que já havia sido levantada quando tinha treze anos.  

Os maiores problemas de quem sofre de um distúrbio na adolescência é o achismo dos pais, esquecem da gravidade da situação e rotulam como fases de adolescentes .Em alguns casos pode ser tratado e a pessoa consegue levar uma vida normal. Se a família acompanha e apoia fica mais fácil,  infelizmente preferem julgar e isolar.  Sentimentos de pena, afeto e cuidados exagerados prejudicam a condição.  Pessoas com distúrbios devem ser tratadas normalmente,  mas ficando atento a algumas situações que podem gerar alterações de humor e inquietação. Busque um especialista, pesquise e avalie a forma que você age socialmente,  pois é no silêncio que nascem os distúrbios! Acesse e baixe o PDF abaixo pra saber mais...
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Um comentário:

  1. Gostei muito de todo enredo e da maneira como você conto essa historia e principalmente o fato de falar sobre o Achismo dos pais.
    :3 no aguardo de mais!

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