sábado, 24 de junho de 2017

OUTRO EU

Após o fim das comemorações de final de ano, o próspero ano tinha iniciado e aos poucos as aulas retornaram. Era o último ano letivo de Derick no ensino médio,  como todos os adolescentes imaginava um ano repleto de novidades,  mas ao colocar os pés no portão,  esperando o sino tocar pra começar o grande dia, todos os planos foram levados pela aquela sensação monótona de que seria só mais um dia tedioso.


 Logo à frente estava um rosto familiar  acenando dizendo com gestos: estou aqui, seu melhor amigo John. Derick tinha um semblante comum, não se destacava entre a classe, de poucas palavras só dizia o necessário e com essas ações conseguiu dois amigos o John e a Paloma( Pan como era chamada), então os três estavam juntos desde o primeiro ano, como Pan era menina nem sempre podia acompanhar Derick em todos os lugares. 

Pan fazia de tudo para se aproximar de Derick, mas ele sempre retrucava de forma direta, dizendo que aquilo era criancice.  John agia de forma descontraída o tocando e dando tapas na nuca, Derick ficava envergonhado em público com essas ações. Um certo dia á professora pediu um trabalho manuscrito aos alunos do terceiro ano, como um trabalho extra caso ficassem com notas vermelhas, nesse momento muitos se interessaram, mas Derick continuava calado foi quando Pan disse em voz alta: _Derick, vamos fazer os trabalho juntos, convidei o John também,  balançando a cabeça positivamente Derick concordou.
Na segunda aula Elisa professora de filosofia  abordou um tema que se tornou algo natural dos dias modernos que vivenciamos, rapidamente preencheu a lousa com as seguintes palavras: sentimentos, personalidade e humor, pediu para cada aluno dissessem um sentimento que mais gostava, assim formassem uma frase pra o colega ao lado. Derick pensou e olhou, sem graça viu a Pan e o John. Quando todos terminaram Elisa pediu pra que cada lessem em voz alta  . Pan disse amo meus amigos, John: _ Derick é o meu melhor amigo, por isso sinto gratidão por andar comigo.


Na vez de Derick suas palavras saíram secas: _John e Pan são pessoas boas, são bem legais e por isso gosto deles. O fim de semana tinha chegado e Derick estava saindo pelo  portão dos fundos da escola,  pegando um atalho. Quando Pan gritou: _espere, vamos juntos! Sem fazer pausa para Pan, Derick prosseguiu o caminho, naquele momento Pan correu em sua direção repetindo:  _ O John mandou avisar que amanhã às quatorze horas vai lá em casa pra gente fazer o trabalho de sociologia, pra você  não atrasar.  Derick disse ok, chegando em casa colocou a mochila sobre a cama e visualizou as mensagens no celular e foi tomar banho.
Na tarde de sábado na hora marcada Derick apertou a campainha e Duce mãe de Pan o atendeu, pediu para que ele entrasse e se encontrasse com a Pan e o John que estavam na sala esperando. Então deram início a conversa,  sempre fugiam do assunto, fazendo um trabalho de meia hora se tornar a tarde toda. Pan perguntou de jeito malicioso: _ Porque você Derick fica vermelho quando falamos de sentimentos? Não precisa ter vergonha! Sem responder, a sala mergulhou em silêncio total. Olhando em um vídeo na internet John deu uma dica de um jogo, de perguntas e respostas onde eles respondiam na pele dos outros com uma caneta. Pan mandou Derick iniciar, Derick perguntou a John o que ele achava dele? John pegou a caneta e escreveu no pescoço do Derick, que ficou muito vermelho. Pan comentou: hum, será que o Derick gosta do John, John levou na brincadeira, mas Derick quase foi embora.

 


 Pra descontrair colocaram uma música, o tempo se passou e trabalho ficou ainda pro outro dia. Em casa Derick entrou em uma pagina na web e viu alguns poemas que o deixou profundamente inquieto, como foi criado pelo pai machista, autoritário nunca conversou de sentimentos com o filho, Artur pai de Derick sempre dizia que essas coisas sentimentais era de mulher, deixando o filho preso aqueles conceitos.
 Na fase da adolescência Derick sentia falta de um homem amigo  pra conversar e expressar suas ideias, tirar suas duvidas, pois passava por mudanças físicas e mentais. Sua visão da vida tinha alterado, com o tempo conheceu John uma pessoa que não tinha vergonha de se expressar, viver, mesmo assim travava no momento de expressar seus sentimentos com ele. Essa pressão sentimental o deixava deprimido,  pois não era ele mesmo. Para aliviar essa sensação teve a ideia de criar um personagem, um  ser virtual onde seu limite não existia,  suas emoções transbordavam pelo teclado, essa lacuna era fechada por um "EU" que o consumia pouco a pouco. Nos primeiros dias foram normais, mas na segunda semana adiante sua forma de vestir, falar, agir parecia outra pessoa.







           Roupas que não eram mais discretas, um ar rebelde toma a forma daquele rapaz opaco, que era invisível pelo fato de não ligar por fama, grupos e pessoas. Estranhando o jeito de Derick, John foi atrás do amigo, em sua resposta Derick indagou friamente, dizendo:_ estou bem, só achei que precisava mudar.  John disse: _ mas pra isso não precisa esquecer os amigos,  John tentou tocar o amigo, Derick saiu rapidamente em direção ao corredor. Pan perguntou a John, nada saiu de sua boca. Olhares foram trocados.
Preocupado John decidiu procurar Marly a tia de Derick, na sua visita John desabafou:_Sinceramente estou muito preocupado com o seu sobrinho, ele anda mudado ultimamente. Já tem um tempinho que ele não responde minhas mensagens e sempre está irritado. Sem o que falar Marly só ouviu atentamente. No quarto Derick se perdia nos pensamentos, entre um assunto e outro focou na parte que Pan tinha insinuado sua relação com John.
Longo de manhãzinha Derick bateu na porta da casa do John, não demorou muita pros dois conversarem. Em um pedido de desculpa deram um longo abraço, nesse instante Derick suou frio.


Quando estava tudo indo bem, um acontecimento veio tirar o  sossego. No finalzinho da tarde saindo de uma loja de conveniência John foi atropelado na calçada, em choque Derick gritava desesperadamente ao vê a situação do amigo.


 Coberto por sangue Derick ajudou a colocar John na ambulância. Por um milagre John só quebrou a perna esquerda, na sala de espera estava Derick  mexendo com as pernas de nervosismo.



Dias depois John teve alta, aparti daquele momento Derick ajudou o amigo com as muletas, ficando mais próximos.  O ano chegou ao fim e cada um seguiu seu rumo, Derick  resolveu buscar ajuda contra a dupla personalidade junto da tia. John recuperado criou um blog pra ajudar outras pessoas que passavam pela mesma situação que o Derick.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

RELATOS DE UMA MORTE POR DIA

Oi! Acabei de acordar, vamos iniciar de forma clichê:  sou a Isadora Fernandes,  uma garota comum de uma cidade pequena,  se me perguntar qual é o meu sonho ficarei perdida,  com pouca idade não me vejo no futuro realizando grandes coisas.

Não dá pra enxergar historias nos textos,  mas imagine uma parede branca.  Pode ser algo infantil,  mas é a primeira coisa que vejo ao despertar de mais um sono profundo.  Minha pele pálida aparenta ser mais velha digamos uns 23,  sim para uma jovem de 17 isso seria um choque.  Não  tenho que reclamar muito,  os poucos dias que fico acordada sou bem paparicada.
 Ah!  Com tantas coisas acabei esquecendo de citar minha condição,  logo que completei treze anos descobrir que tinha uma doença genética que faz que o meu sono seja profundo,  podemos dizer que entro em coma diariamente.  Até brinco que tenho uma morte por dia,pode ser qualquer dia ou hora,  não existe um padrão,  posso ficar um dia sem dormir profundamente ou até anos,  sempre inesperadamente.  Especialistas disseram que não existe ainda um tratamento,  principalmente pra uma condição rara. Muitos me perguntam se tenho medo de não acordar mais,  no inicio até fiquei em pânico,  de tanto pensar acabei depressiva.

 Vivia em um mundo de sonhos,  a cada manhã era como uma novela,  onde sempre perdia os capítulos importantes.  Mesmo como minha condição instável ,não deixei de fazer nada.  Levava sempre o Billy ao parque,  notei que no outro dia Billy não estava mais na casinha dele,  tinha morrido há dois meses,  nesse tempo ganhei uns quilos. No colégio tudo estava diferente; Vanessa estava com cabelos longos e Otávio  permanecia o de sempre,  igual aqueles vampiros de filme. Em casa o inverno já batia na porta,  minha mãe estava com pequenas rugas,  como de costume assistindo a missa no sofá.
 No final da tarde do domingo Rodrigo me convidou pra sair,  sem muitas opções de diversão na cidade,  caminhamos na praça.  Andamos pela calçada, entramos em uma soverteria,  Rodrigo me pegou pelo braço,  sentir sua mão quente e um frio na barriga,  já conhecia ele bem,  estudamos desde o primário juntos,  mas nunca havia notado o outro lado do Rodrigo.

Ele se sentou  e conversamos horas,  olhei pro relógio e já passava das onze.  No momento de irmos ele me emprestou o casaco,  fiquei sem graça   e sorri vermelha.  Na porta da varanda nos despedimos e nem me lembrei de devolver o casaco.  Sentei no sofá e só escutei a voz macia da minha mãe dizendo: _ Filha apague a luz depois,  só demorou alguns segundos pra tudo ficar opaco,  minhas mãos desapareciam  em uma visão turva.
Dez de janeiro,  o sol atravessava o horizonte e a voz rouca do carteiro anunciava as boas novas.  Levantei e olhei,  estava com agulha intra venosa alimentando meu corpo com soro.  A cor da parede era rosa,  me sentir uma criança,  após me recompor vasculhei o armário  e lá estava o casaco.  Disse em tom cansado:  _oh mãe!  Vou demorar  um pouco mais hoje,  vou devolver o casaco ao Rodrigo.  Com cabisbaixa a Dona Zeferina,  minha mãe,  ela não gosta que a chamo pelo nome,  faço isso pra ela me atender mais rápido, kkkk!
_ Ele não mora mais aqui filha! Como assim mãe? _ ele está morando com  a avó,  isso já faz mais de um ano. Sem palavras me recolhi ao meu quarto e busquei informações nas redes sociais,   vi que só eu que pedir a noção de tempo.   
Chegando no meio da semana resolvi retornar ao colégio,  as folhas do outono davam sua graça, minhas notas eram regulares  então não tinha muito problema, podia curti bem os intervalos.  A sala estava mudada com novos alunos,  nesses dias estava gostoso ouvir o som de suspiro e preguiça. Quando o professor fez a chamada da classe,  sentir uma aceleração no peito,  quando ele disse Rodrigo.  Sentir aliviada,  na mesma hora revivi a cena daquele dia,  me envergonhei só de relembrar. 
  Na troca de turma para a aula de educação física, nunca olhava onde caminhava,  em um descuido fui em direção a um rapaz,  que me olhou atentamente.  Minha mente estava confusa tipicamente coisa de adolescentes.
No outro dia ele me chamou na rede social,  isso me deu um troço,  palavras básicas como oi foi mais difícil que a prova total.  A realidade parecia um mangá romântico,  saindo do colégio a brisa assoviou nos meus ouvidos e logo lá,  na outra esquina Rodrigo surgiu. Antes de ter coragem de gritá-lo percebi o olhar dele distante.  Minutos depois uma loira aproximou-se dele,  era Vanessa ,  minha melhor amiga.  Sinceramente me sentir traída,  pelo fato da Vanessa não ter me contado,  no fim superei,  sabia que ele seria mais feliz ao lado dela. 
 Apenas era uma a paixonite.  Voltando pra casa revi o Tadeu,  aquele do colégio,  mas a realidade voltou átona e minha condição e  uma vida normal passava longe de tudo;  sonhos,  romance e família.
Decidir tomar uma decisão drástica,  fui em uma farmácia e comprei alguns inibidores de sono e os escondi de baixo do travesseiro.  Na sexta Tadeu me chamou pra uma social com amigos,  nesse dia ingerir os primeiros remédios pra conseguir aproveitar o momento.  A noite chorava,  receando não acordar mais e ficar longe de Tadeu,  que se tornou um confidente.

             Após dias e noites fantásticas decidir largar Tadeu, não suportava cogitar em vê-lo triste.  Terminar foi a melhor solução.  Tadeu disse que já sabia da minha condição e me aceitava,  ficarei ali até eu dormir.  Seus olhos foram as últimas coisas que vi e guardei na memória.

           Talvez hoje eu   ainda  esteja dormindo,  com uns vinte e cinco anos. Não posso ter certeza, se era tudo um sonho,  pelo menos eu vivi cada momento. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Cortando a dor!



Hoje por vivemos na correria, tendemos á retribuir gestos singelos com gestos  rápidos, faltando com os bons costumes. Entre estas vigas de escassezes de amor e afeto surgem os distúrbios como  da auto mutilação. Uma historia igual a de muitos adolescentes, como de Maike. Um garoto que estudava no colegial, desde pequeno via seu pais brigarem, foi crescendo e consigo a revolta. Na adolescência começou a buscar a sua identidade, passou de um garoto simpático estudioso a um rapaz serio, sem muitas conversas.

 Os olhares lhe criticavam porque mudaste tanto, com o tempo foi passando começou a escutar rock, uma forma de mergulhar nos medos,  cabelos que cobriam a testas. Só queria ser aceito, mas ninguém o respeitava, nos desenhos jogava suas mágoas, pintando figuras escuras.

Todas as noites,escutava seus pais discutindo, nos momento que as vozes aumentava  queria morrer.Não aguentava mais o mundo do jeito que  estava, sentia raiva quando se lembrava das promessas de felicidades e de  um lar perfeito.



 Fechava os olhos e via os pais  dos colegas perguntando se foi bom a escola hoje,  segurando os pelas mãos. Seus olhos ardiam, relembrando que quando tirava 10 nas provas, conquistava medalhas seu pai nunca perguntava como ele estava na escola, nos dias em que as professoras o chamava pra conversar, levantava os braços para agredi lo, pensando que ele tinha feito algo errado, nunca cogitava que era para parabeniza lo, sempre dizendo : _  você sabe o que faz e não precisa de mim pra resolver.

Após anos aquele vazio corroía sua vontade de viver, assim começou a odiar tudo que era bom. Em uma noite apertou a maçaneta com tanta força, manchando a de sangue, teus olhos dilataram, tremendo ao vê o sangue escorrendo na porta.

O medo de se machucar foi diminuindo , a partir daquela noite nada mais iria feri-lo, apontou um lápis e apoio o sobre o braço e atritou queimando em marcas vermelhas, ainda não contente pois a dor da alma continuava  a prevalecer.

De um simples lápis a um estilete que ficava escondido na mochila, cortes cada vez mais profundos , não se matava por querer continuar vivo, pensava que a morte não resolveria.

Uma vontade fora do comum fazia querer se mutilar, uma maneira de amenizar a dor, assim que se cortava o cérebro concentrava nas feridas, preenchendo  a mente. Mas chegou num ponto assustador essa vontade de mutilar,   forçando esbarradas  em objetos pontiagudos, cortantes com a finalidade de saciar o desejo, usando como desculpas para convencer as pessoas que o interrogava. Vestindo roupas compridas encobertando as marcas .


 Cansado de vê sua situação humilhante percorreu o quarto, esticou as mãos  na direção de uma caixa e a abriu, folheou  algumas cartas dos pais, envelhecidas pelos anos, retirou as  posicionado sobre a cama, colocando junto um bilhete escrito:  "Queria que fosse verdade,não palavras vazias como eu", após essa frase a casa dormiu em silencio, restando gostas frias tingindo o chão.


A mutilação e movida além da raiva, que consiste em auto penalização ,alguns acreditam  por ser consequência da depressão não pode ser curada, uma pequena parcela discorda, penso o mesmo ,se o indivíduo possuir força de vontade e determinação com apoio da família consegue, não  totalmente a cura, um equilíbrio para que possa viver normalmente sem o medo da recaída.